Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

Música no Ar

Sem a música, a vida seria um erro. - Friedrich Nietzsche

Viver a música que existe no ar!
Em tudo existe música,
assim como o amor que vaga no coração dos apaixonados
ela se faz presente em todos os momentos.
A música nos encontra e não o contrário.

Amanhece o dia e os sons da aurora surgem.
Não ao despertador e sim a música que existe no amanhecer
E muitas vezes se confunde com o silêncio.
Abra a janela calmamente, silenciosamente, respire lentamente,
feche os olhos e escute o romper do dia.
Pode ser que lhe faça surgir uma melodia de uma música que você conhece
Tal como para mim sempre vem a mente:

Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo peito nu cabelo ao vento
E o sol quarando nossas roupas no varal
Tu vens, tu vens

Eu já escuto os teus sinais

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido

E eu não duvido já escuto os teus sinais

Que tu virias numa manhã de domingo

Eu te anuncio nos sinos das catedrais

(Anunciação-Alceu Valença)

A música aflora as paixões
Reanima os desejos e nos faz perceber e experimentar sensações novas.
A música conforta, anima e expulsa a tristeza.

Falar é tão difícil quanto ouvi-lá
E não adianta falar mais sobre ela pois nos perderíamos em enciclopédias de dizeres.
Ouça, sinta, viva.

Cada qual formando uma trilha sonora para cada momento da vida.

Com música, namoramos, noivamos, casamos e nos despedimos
Sempre com a música a nos seguir.
Quando deixamos ou somos deixados
Ela está lá presente como sempre.

Não adianta fugir ou tentar fingir
Ela está lá, mesmo que você não se preocupe
Ou ache que não é com você
Ela encontrará sempre seu par
e com certeza poderá ser você

Por fim.

A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende.
Arthur Schopenhauer

A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição. Aristóteles

Toda alma é uma música que se toca. Rubem Alves

Veja mais sobre a música Anunciação do Alceu Valença e Pétalas deixe que a delicadeza das palavras toquem seu coração



Anunciação


Pétalas

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Enquanto Isso... 2009 está nos deixando

Enquanto isso...2009 está nos deixando e 2010 está vindo a todo vapor com mais 12 meses.
Então vamos celebrar o que passou e festejar as conquistas.
É momento de fazer um balanço, ponderar, relevar e amar.
É tocar adiante o que precisa ser feito, pois temos 12 meses pela frente.
É afinar os instrumentos pra tocar na orquestra da vida.
É momento de rever o plano de vôo para continuar a voar alto e continuar voando.
É momento de agradecer aos amigos, ao familiares e a quem amamos e convive com agente,
pelas pequenas e as grandes coisas que fizeram por nós.
É o momento que devemos lembrar que devemos agradecer a todos os momentos,
Pois o amanhã pode vir e a voz pode cessar.
Celebre pelo caminho percorrido,
mesmo que todas as conquistas esperadas não tenham sido realizadas.
Redefina, pense, almeje, saia do ostracismo se assim se sentir.
Anime-se, beije quem você ama,
diga a quem você ama que realmente ama.
Presenteie a todos com o seu sorriso.
Receba o novo ano e deseje a todos a paz, que deseja e espera alcançar.
Ore bastante neste novo ano, fale bastante com Deus e continue firme na sua fé.
Seja perseverante pois, como disse o Apóstolo Paulo: "a tribulação produz perseverança;e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança."
Faça uma promessa de mudança e apresente a Deus em sua orações,
você verá que Ele te propiciará vitórias.
E espere que vitórias virão sem promessas,
e você sentirá o sabor do milagre em sua vida.
Palavras boas precisam ser ditas e estas são as minhas para ti,
espero que elas preencham sua alma.
Espero que de alguma forma elas te façam sentir bem
o quanto tu és importante na minha caminhada a ponto de compartilhar contigo
Meu muito obrigado e te desejar que:
O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o rosto e te de a paz.

Feliz Natal e um Feliz 2010 para você e toda a sua família.

Deixo com vocês dois videos muito legais e espero que aproveitem

Nunca pare de Voar


16: Moments


Cuide bem dos teus pensamentos e sentimentos,
porque eles se transformarão em palavras...
Cuide bem das tuas palavras,
porque elas se transformarão em ações...
Cuide bem de tuas ações,
porque elas se transformarão em hábitos...
Cuide bem de teus hábitos
porque eles marcarão o seu caráter...
Cuide bem do teu caráter
porque ele determinará o teu destino...
(autor desconhecido)

Domingo, Dezembro 20, 2009

No Pain, No Gain - Um pouco da minha experiência com corrida

Pela dor muitas vezes descobrimos algumas vitórias.

Sem dor, sem ganho ou no bom inglês No Pain, No Gain.

Necessariamente a dor não precisa ser física para alcançarmos uma vitória, porém para superar nossos limites muitas vezes podemos ter alguma dor (dorzinha ou dorzona) a encarar.

Estou escrevendo tudo isso porque a pouco mais de 4 semanas, comecei a fazer exercícios físicos. Por volta de 2 anos atrás, quando estacionei no mesmo peso oscilando apenas entre 1 e 2 quilos neste período, sempre que volto na nutricionista ou faço exames de sangue para apresentar para minha endocrinologista, elas me orientam a praticar um esporte a sair do sedentarismo, se mexer.


O tempo corrido e a agitação do dia a dia sempre me serviram como uma "muleta" para não realizar qualquer exercício. Sempre me questionava sobre o fato de muitas pessoas conseguirem fazer e eu não. Até ensaiei ir com minha esposa na academia, pois como vamos na mesma nutricionista e endocrino e como a orientação não muda, ela resolveu se mexer. Novamente a idéia de acompanhá-la foi impedida por algumas "muletas".
Até que um dia, depois de sair revoltado da nutricionista e após uma conversa entre amigos, durante o horário do almoço, onde só falaram sobre corrida, tive um insight de registrar durante 1 mês onde eu estava gastando meu tempo, do acordar ao dormir. Fiz um mapa simples mas que me deu uma noção das minhas "muletas". Para não haver dúvida de interpretação, muleta leia-se "desculpas" também.

Depois da noção do uso do tempo, lancei-me a tentar planejar algo a ser feito dentro de uma realidade que muitas vezes utilizo como "muleta" para não realizar. Foi uma tarefa difícil que entrou num loop contínuo diante de uma série de coisas que precisam ser priorizadas e realizadas.

Poderia ter optado por uma conclusão simplista e comum de que não tinha tempo. Acomodar-me na minha realidade seria a melhor saída, pois poderia usar esta "muleta" como forma de autopiedade. Tecnicamente falando não tenho tempo de sobra, pois para quem começa o dia as 5h30 da matina e vai até próximo a meia noite, não sobra muito tempo para encaixar qualquer outra atividade dentro do dia a dia.

Mas dentre tudo que eu preciso fazer no meu dia a dia, uma coisa estava faltando: cuidar da minha saúde assim como procuro cuidar das demais coisas. E em meio ao levantamento que fiz e o planejamento que estava fazendo passou-se 2 meses e com direito a um par de tênis novo guardado na caixa.

Neste período de vai não vai, a Edi participou da Meia Maratona SESC de Revezamento. Foi meu primeiro contato com a energia de uma prova, com o ânimo transmitido pelas pessoas participantes e acompanhantes. Eram 7h30 da manhã de um domingão, não via ninguém querendo desistir sem começar, veja o video com algumas fotos da prova.

Meia Maratona SESC de Revezamento - video


Na sequência acompanhei a Edi na Fila Night Run, foi uma corrida a noite muito legal, bem diferente do convencional das corridas de dia veja algumas fotos abaixo.

Fila Night Run - 2009
Fila Night Run 2009

Num certo dia, depois de chorar minhas mágoas para a Edi, ela literalmente me "botou para correr", me empurrou ladeira abaixo no Parque do Piqueri e dai até hoje tenho corrido e caminhado alguns dias da semana.

Mas tudo isso não foi fácil e não esta sendo. Agora entra a parte do "Pain"! Ha um tempo atrás, meu joelho deu sinal para uma lesão chamada condromalácia patelar e após fisioterapia e um pouco de exercícios para fortalecimento tive uma recuperação. No entanto, como nossa musculatura não possue efeito memória, passado um tempo sem fazer nada, meu joelho começou a sentir novamente o impacto da falta de exercícios físicos (e do excesso de peso também, porque não?).

E foi só começar uma caminhada alternada com um corrida em trote, para que a dor apareceu novamente. Após resgatar os exercícios de fisioterapia e iniciar um trabalho de fortalecimento orientado pela especialista e Phd em joelhos (direito e esquerdo), minha cunhada Eleonora, consegui iniciar um processo de recuperação.

E assim tem sido as ultimas semanas, mesmo tendo conseguido recuperar um joelho (o direito) o esquerdo também ficou com ciúmes, o tornozelo, a tíbia... de uma forma ou de outra sempre tem uma parte do corpo dando sinal de alerta e informando que eu preciso reduzir, recuar em alguns exercícios, fazer mais alongamento ou fortalecer a musculatura com o trabalho de peso.

Fazer exercício sem ir numa academia apenas com a orientações de leitura ou de experiências do passado exige um cuidado especial e uma cautela grande, pois levado pela ansiedade de tirar o atrasado, a lesão aparece sem que percebamos.

Para mim o exercício físico tem sido insuficiente, pois tenho que exercitar minha mente para que eu possa correr sem me lesionar fazendo alguns exercícios de fortalecimento sem estressar minha capacidade muscular e ainda tenho que lidar com pequenas dores que surgem no dia seguinte e que são imensas colaboradoras para desistência.

E claro, a minha agenda não mudou, minhas necessidades de atuar no que precisa ser feito não mudaram, porém estou aprendendo a "calibrar" meu dia a dia com as atividades para que tudo se encaixe de forma correta. As descobertas neste plano são gratificantes e para mim tem sido uma experiência muito boa, pois por meio de pequenos ajustes na agenda pude conseguir o equilibrio.

Ainda tenho muito a realizar pois não se disciplina a ansiedade da noite para dia, ainda mais quando ela está tão presente em nosso dia. Enfim tenho muito a realizar e não pretendo desistir dessa nova caminhada ainda mais que os "gains" estão começando a surgir.

O primeiro deles foi no domingo, dia 19/12. Consegui completar a prova de 10 quilômetros do Circuito das Estações da Adidas - Verão 2009 (veja a máteria depois), mesmo não me escrevendo consegui acompanhar meu amor, que já conquistou sua 3ª medalha de participação. Ela debutou nos 10k oficialmente e a minha vez já tem data marcada: dia 18/01/2010, no mesmo percurso e quilometragam, porém na prova Circuito do Sol.


Abaixo o palco de premiação
Premiação merecida
Casal unido, corre unido com mesmo modelo de tênis
A Prova que corremos
Enfim é isso, fecho meu longo texto com trecho da música do Scorpions - No Pain No Gain

No time for losers you make the call
Não há tempo para perdedores, você faz a chamada
Believe in yourself stand tall
Acredite em você mesmo, mantenha-se alto
Another day it's in your hand
Outro dia esta em suas mãos
You can be the winner in the end
Você pode ser o campeão no final


Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

Onde fica Pasárgada? - Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

O que significa Pasárgada
É o próprio Bandeira quem explica:

“Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias [...]. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!”. Senti na redondilha a primeira célula de um poema [...].

Em resumo, era um lugar sonhado... almejado e construído por Bandeira para transformar seus óbices em versos... Tanto é verdade que, quando queremos dizer que qwueremos ir para algum paraíso, ou que a vidqa está problemática,
citamos Bandeira... Muitas vezes tive vontade de ir-me para Passárgada... um dia ainda conseguirei ir...

Onde Fica Pasárgada
PASÁRGADA. Antiga capital da Pérsia, hoje Murghab. Do persa, através do grego. Em latim: Pasargadae; em Prisciano, Pasargada, com o a penúltimo breve.
(ANTENOR NASCENTES, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, Rio, Alves, 1952, tomo II - nomes próprios)

Se tiver um tempinho de uma passada no site Cultura Brasil

E ainda no Wikipédia podemos encontrar o seguinte:

Pasárgada era uma cidade da antiga Pérsia e é atualmente um sítio arqueológico na província de Fars, no Irã, situado 87 km a nordeste de Persépolis. Foi a primeira capital da Pérsia Aqueménida, no tempo de Ciro II da Pérsia, e coexistiu com as demais, dado que era costume persa manter várias capitais em simultâneo, em função da vastidão do seu império: Persépolis, Ecbátana, Susa ou Sardes. É hoje um Patrimônio Mundial da Unesco.

Como se não bastasse a Folha de São Paulo em 08/01/2002 publicou um matéria muito interessante.

Fora do mapa: Pasárgada existe e fica no Cariri
Delírio poético de Bandeira vira hotel-pousada no Crato A utopia lírica do poeta pernambucano Manuel Bandeira agora existe de verdade. "Só no Crato!" para lembrar uma expressão local de espanto diante de qualquer coisa extraordinária ou evento grandioso que ocorre na região.

Localizado no sítio Belmonte, a 6 km da "Atenas do Cariri", como a cidade já foi louvada, o Pasárgada Hotel tem 20 chalés charmosíssimos, no sopé da Chapada do Araripe, uma mata cheia de pequenas cachoeiras que nem de perto lembra a paisagem castigada pela seca que caracteriza o Nordeste para olhos do resto do país.


Para aproveitar o mote de Bandeira, nada melhor para fugir do caos litorâneo, com ou sem amante, e se esconder no meio dos prazeres da mata virgem. O Crato fica a cerca de 500 km de Fortaleza. Escondido, o lugar prefere nem fornecer telefone. O negócio é chegar ao velho Crato, esse nome é homenagem a uma província portuguesa do Alentejo, e perguntar ao primeiro sertanejo que avistar.
Todo mundo sabe. "É bem aliii...", dirão com o beiço apontando o rumo.


Coisas de Brasil!

E não é que no Youtube tem também Vou me embora pra Pasárgada



Por fim deixo um pouco sobre a biografia de Manuel Bandeira.

Um pouco da sua Biografia (extraído do Pensador.info)

Apesar de ser recifense, o poeta Manoel Bandeira passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro. Viveu o apogeu do modernismo no Brasil, sendo um de seus grandes representantes

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife, em 1886. Sua família se dividiu entre o Recife e o Rio de Janeiro, cidade para onde a família se mudou em 1896.

Já em 1903, a família Bandeira foi morar em São Paulo, e é lá que Manoel inicia os estudos na Escola Politécnica. Em seguida, em 1904, o autor toma conhecimento de sua doença, a tuberculose, e volta para o Rio de Janeiro.

Viajou para a Suíça, para tratar-se, e foi no seu retorno ao Brasil, em 1917, que publicou seu primeiro livro de versos "A Cinza das Horas". Apenas dois anos depois, publicou “Carnaval”, aclamada obra do autor, escrita em versos livres.

Em 1922, ano da Semana de Arte Moderna, Bandeira preferiu não participar do evento que foi marco do movimento Modernista no Brasil. Mas o seu poema “Os Sapos” foi lido por Ronald de Carvalho.

Obras como "O Ritmo Dissoluto" (1924) e "Libertinagem" (1930), mostram que Bandeira mergulhou de vez na influência modernista. Seus escritos abordam temas recorrentes como família, morte e sua infância.

Bandeira também foi jornalista, redator de crônicas, tradutor e professor. Do seu acervo de poesias, podemos citar:
- A Cinza das Horas (1917)
- Carnaval (1919)
- Poesias (1924)
- Libertinagem (1930)
- Estrela da Manhã (1936)
- Opus 10 (1952)
- Poesia e prosa completa (1958)
- Alumbramentos (1960)
- Estrela da Tarde (1960)

Manoel Bandeira morreu em 1968, no Rio de Janeiro, de parada cardíaca.

Outra linda é poesia que registro aqui é:

Belo Belo

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Estes poemas belíssimos, de Manuel Bandeira — Estrela da Vida Inteira, Ed. Nova Fronteira, fone (021)286.78.22, Brasil — foram inspiração (e homenagem a ele) para Soares Feitosa, "in" Do Belo-Belo.

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Cantando apesar da chuva

Religiosamente, 5 dias por semana, sigo para o meu trabalho vou trânsito ouvindo um programa de rádio chamado Primeiro Programa - transmitido pela rede de rádio Transamérica e inclusive podendo ser ouvido em outros Estados do Brasil.

Aos madrugadores de plantão recomendo o programa (6h as 7h). Sua programação é formada por notícias e reflexões com colunistas como Luciano Pires, Gustavo Cerbasi, Reinaldo Polito, Daniel Carvalho Luz, José Luiz Tejon entre outros.

O time é composto por Irineu Toledo, Renata Leite e Alexandre Pelegi todos eles fazem o programa acontecer e escrevem também no site.

Devo destacar que minha preferência são os textos do Alexandre Pelegi e do Luciano Pires e queria aproveitar este espaço para colocar um texto bacana do Pelegi



Cantando apesar da chuva
(por Alexandre Pelegi)

Singin'in the Rain (Cantando na Chuva) é um dos maiores clássicos dentre os musicais produzidos por Hollywood. Com Gene Kelly no papel principal, a cena marcante surge quando ele – fazendo jus ao título do filme – dança com uma alegria contagiante em meio a uma enorme tempestade.

A letra é de um otimismo esfusiante, e explora o contraste entre a chuva que não cessa de cair e a alegria do dançarino que se diverte qual uma criança a sapatear nas poças d'água. Numa tradução livre, ele canta:

‘Estou cantando na chuva, que sensação gloriosa! Estou feliz de novo, rindo nas nuvens ...

Está escuro lá em cima, mas eu trago o sol em meu coração, pois estou pronto para o amor.’
De uma época em que os musicais de Hollywood primavam pela inocência, o filme manteve-se como um clássico não apenas pelo brilho dos atores, mas pela mensagem universal que traduz: não importa se lá fora as coisas vão de mal a pior, mas sim que meu coração é capaz de carregar o brilho do sol...

Esta alegria pueril, beirando a inocência, marcou os anos 50. Era a maneira lúdica que aquela geração encontrou para curar as feridas da Segunda Guerra, conflito que deixou imagens que até hoje impressionam pela crueldade. Diante dos horrores da guerra, o adulto decidia voltar a ser criança...

A história mostra que a humanidade vive espremida entre períodos críticos e antagônicos. Às guerras e às crises seguem-se momentos de efervescência cultural e intensa alegria e otimismo. É homem que, apesar se sua propensão à bondade, demonstra de tempos em tempos seu lado negro, quando então produz maldades inimagináveis.

De certa maneira, apenas com o tempo medido por outro relógio, nós somos aquilo que presenciamos do mundo. Temos nossas crises, fazemos nossas guerras, mas sabemos cantar na chuva. Ora estamos entre nuvens negras e só enxergamos tristeza na tempestade, ora trazemos o sol no coração e com ele iluminamos a vida.

A tristeza é um daqueles defeitos humanos que vive a nos cobrar respostas. E o dilema atávico do ser humano está justamente em decidir, repetidamente, que destino ele quer para si a cada início de um novo dia: cantar na chuva ou se deitar entre nuvens negras...

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

O bom líder é generoso, diz Welch

Faz um tempinho que não escrevo nada no meu Blog isto pelo fato de ter que priorizar alguns assuntos quanto também pelo fato de estar escrevendo 2 a 3 coisas ao mesmo tempo e não dar fechamento e deixá-las no rascunho.

De qualquer forma gosto de compartilhar o que recebo de interessante.

Compartilho com vocês um post que recebi via twitter do @joseadriano de uma reportagem com Jack Welch. Falando sobre a generosidade de um bom lider.

"O bom líder é generoso", diz Welch
Para o lendário CEO da GE, executivos têm que se preocupar com seus funcionários e saber recompensá-los

Jack Welch quer ser lembrado como o homem que construiu e trabalhou anos a fio com uma das melhores equipes já montadas na história do mundo corporativo. Aos 74 anos, não é exagero dizer que o lendário CEO da GE conseguiu o feito. Durante os 20 anos em que o executivo americano dirigiu a General Eletric (1981-2001), ela viu seu valor de mercado passar de US$ 13 bilhões para US$ 400 bilhões. Hoje, Welch é autor de best-sellers e seu nome é presença constante nas escolas de negócios no globo todo.

Construir equipes talentosas como a que Welch dirigiu é um dos principais desafios empresariais. Com a serenidade de quem acumula décadas de experiência, ele indica um dos principais fatores para a formação de bons times. “Um líder precisa ser generoso. Ele tem que se preocupar com seus funcionários e com suas famílias. Ele não pode ser mão de vaca. Um bom líder deve adorar dar promoções e aumentos de salário”, disse Welch, em videoconferência concedida nesta segunda-feira (30/11), na ExpoManagement 2009, evento promovido pela HSM, em São Paulo.

“Se você não tem prazer em dar aumento aos seus funcionários, que tipo de profissional é você? Você provavelmente deve estar infeliz consigo mesmo. Depois de cinco anos como CEO da GE, eu já tinha conseguido tudo o que queria. Foi muito bom ver os funcionários crescerem, melhorarem e conquistarem seus objetivos”, completou.

Para o americano, os bons profissionais não querem mais trabalhar em empresas que não se importem com eles e que não levem em conta critérios de meritocracia. Esse cenário só aumenta a importância do setor de RH das companhias, injustamente desmerecido, segundo Welch.

“Se você fosse montar um time de futebol, a quem daria mais importância: ao contador ou a quem seleciona os atletas? Houve uma inversão de valores nas empresas. É terrível que os diretores financeiros tenham se tornado mais importantes do que os de RH”, defende. “É esse setor que cria as políticas de avaliação e desenvolvimento. E é muito importante ter precisão na avaliação dos funcionários. Não é possível desenvolver uma companhia sem um bom RH”.

Outro ponto essencial, segundo o americano, é conseguir fazer com que os profissionais tenham paixão pelo que fazem, “que fiquem felizes ao saber que no dia seguinte voltarão ao trabalho” e “tenham orgulho do que fazem”. Neste quesito, Welch não tem meio termo. “Uma pessoa sem paixão é ruim como amante e ruim na empresa”.

É importante também que os funcionários saibam o que o chefe pensa deles e por que ele pensa dessa forma. “Os profissionais precisam saber o que se pensa deles. Isso não pode ser escondido”, fala Welch.

Sinceridade, política de metas e recompensas, tratamento humano e transparência. Esta é a receita de Jack Welch. Funciona? Para GE, definitivamente, funcionou.

Reportagem publicada na Época Negócios

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Café Expresso ou Espresso

Curiosamente recebi um post vindo twitter da @luderenze questionando sobre a grafia correta de Café Expresso ou Espresso. Esta questão me remeteu a pesquisar e por consequência encontrei uma poesia sobre o café expresso.

Como amante desta bebida, a ponto de ficar com dor de cabeça se passar mais de 5 horas sem ingeri-lá, então resolvi postar para vocês, a poesia de Cassiano Ricardo.

Mas antes, você deve estar se perguntando mas qual é o correto, Café Expresso ou Espresso?

Esta lá no site Peabirus para quem quiser comprovar o seguinte:

Café expresso ou espresso?

Veja São Paulo - Opinião do Leitor A grafia "café expresso" chamou a atenção da leitora Claudia de Pinho Aymone ("Comer & Beber - O Melhor da Cidade", 26 de setembro). "Trata-se de uma bebida preparada com a passagem de água muito quente sob alta pressão no café moído", escreveu ela. "Quando chegou ao Brasil, algum desavisado traduziu o italiano espresso para o português expresso. E todos pensam que se chama assim por ser feito na hora, rapidamente." De acordo com especialistas ouvidos por Vejinha, a história é um pouco diferente. "Os dicionários mais importantes da língua portuguesa trazem no verbete 'expresso' a acepção de um certo tipo de café tirado por máquina e com espuma", diz o jornalista Eduardo Martins, autor do Manual de Redação e Estilo do jornal O Estado de S. Paulo. A explicação é corroborada pelo professor de língua portuguesa Pasquale Cipro Neto. "O italiano espresso tem o sentido de 'bebida feita no ato, rapidamente'", diz. "Em português, é com xis mesmo, como no belo poema Café Expresso, de Cassiano Ricardo." 03/10/07

Agora, o fundo de pano para este assunto é que hoje eu não tomei um delicioso Expresso bem tirado. Precisei fazer um teste Ergométrico e me falaram para ficar 12h sem cafeína no sangue. Que loucura!!

Quase surtei no final do dia. Tomei uma Coca-Cola normal (nada de Zero ou Light), para equilibrar o jogo, pois terminei o tal do teste perto do horário da janta e para o meu desespero o café amargaria na boca, pois estava com uma fome danada e tudo isso porque atrasaram no horário marcado do exame.

Então fiquem agora com a poesia:

Café-Expresso

1
Café-expresso — está escrito na porta.
Entro com muita pressa. Meio tonto,
por haver acordado tão cedo...
E pronto! parece um brinquedo...
cai o café na xícara pra gente
maquinalmente.

E eu sinto o gosto, o aroma, o sangue quente de São Paulo
nesta pequena noite líquida e cheirosa
que é a minha xícara de café.
A minha xícara de café
é o resumo de todas as coisas que vi na fazenda e me vêm à memória
[apagada...

Na minha memória anda um carro de bois a bater as porteiras da
[estrada...
Na minha memória pousou um pinhé a gritar: crapinhé!
E passam uns homens
que levam às costas
jacás multicores
com grãos de café.

E piscam lá dentro, no fundo do meu coração,
uns olhos negros de cabocla a olhar pra mim
com seu vestido de alecrim e pés no chão.

E uma casinha cor de luar na tarde roxo-rosa...
Um cuitelinho verde sussurrando enfiando o bico na catléia cor de
[sol que floriu no portão...
E o fazendeiro, calculando a safra do espigão...

Mas acima de tudo
aqueles olhos de veludo da cabocla maliciosa a olhar pra mim
como dois grandes pingos de café
que me caíram dentro da alma
e me deixaram pensativo assim...

Quem desejar ler mais sobre Cassiano Ricardo basta clicar sobre o nome dele.

E se desejarem ler mais sobre Café Expresso acesse ao link Wikipédia lá tem um pouco mais de história.

Agora se quiserem passear, recomendo irem num sábado pela manhã no Café da Pinacoteca ou ainda se quiserem mais "glamour" visitem o Octavio Café o local é muito bonito e diferente.

Bem, Sampa está cheio de lugares nota 10, fica para outro post listar algumas.

Café da pinacoteca

Octavio Café
A Pequena Gabi já gosta de Café

Se você for acompanhado pode ganhar um Beijo. Diria que esta é parte mais gostosa quando convido minha esposa para um tomarmos um café.

Estando pelo Rio de Janeiro não deixe de conhecer a Confeitaria Cavé ou Casa Cavé, na Rua 7 de setembro, 137 bem no centrão. E aproveite e de uma chegada até a Colombo fica perto é só perguntar na rua que o pessoal explica.
Fechando em santos existe o Museu do Café, ainda não consegui visitar. Espero nas férias fazer esta deliciosa visita.

Então é isso e Enquanto isso,vou ficando por aqui.


Domingo, Novembro 22, 2009

O Feriado

O feriado é assim!

Tem parque e catavento que pega o vento e joga para longe e brinca com ele, de roda formando um caleidoscópio de cores.

Juntando o rosa e o amarelo, o azul e o verde, o roxo e o azul...
E como criança o vento brinca com o catavento formando cores e espalhando sorrisos.

Também não falta o balanço, o escorrega e nem o bolo de areia.









Tem também palhaço e palhaçadas, misturando e embaralhando as palavras e fazendo as crianças sorrir.
Tem também uma decoração de natal bem diferente que busca encher de cores uma data que merece além de cores, muito amor e reflexão.
(decoração no Center Norte)

No feriado não faltou corrida no parque para manter a forma e se preparar para um dia correr a São Silvestre.










Teve quase caminhada no ar...
E até alpinismo em árvore. Existe isso?
Mas o feriado tem fim, ele acaba, o que não acaba são as boas recordações e as emoções que ele nos deixa.
Ele nos deixa o abraço, o sorriso e o gosto de querer mais.
O feriado repõe as energias e nos prepara para novas emoções.
Enfim o feriado acabou!

Terça-feira, Novembro 17, 2009

A Felicidade Possível

Pensar na felicidade nos remete a textos maravilhosos e que nos mostra sempre diversos pontos de vista sobre a felicidade.

Um destes texto é de Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros, possivelmente você já teve ter ouvido falar dele em algum momento. Ele nasceu no Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 1936 e lá faleceu em 9 de maio de 2008 foi um advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e político brasileiro.

Como político foi um dos fundadores do PSDB. Era apresentador de um programa de música erudita na TV Senado. Ainda como jornalista, atuou como redator e editor em diversas revistas, notavelmente na Bloch Editores e foi colunista de televisão nos jornais Última Hora, O Globo e O Dia, sendo também diretor da Rádio Roquette Pinto. Publicou ao todo 23 livros de contos e crônicas.

Enfim fiquem com o texto e se tiver um tempinho visite o o Blog que ficou congelado no tempo com seus ultimos registros

A Felicidade Possível

Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for.

O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros e trambolhões existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento.
A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos). A pessoa é impelida para a aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial.

A solução de toda situação de impasse só se dá quando uma das partes aceita perder ou aceita renunciar (e perder ou renunciar não é igual, mas é muito parecido; é da mesma natureza). Sem haver quem aceite perder ou renunciar, jamais haverá o encontro com a verdade de cada relação. E muitas vezes a verdade de cada relação pode estar na impossibilidade, por mais atração que exista. Como pode estar na possibilidade conflitiva, o que é sempre difícil de aceitar.

Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas.

Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver).

Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar.

Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc é tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido.
Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade.

Artur da Távola

Domingo, Novembro 08, 2009

Fila Night Run 2009


Neste ultimo sabádp mas especificamente 07/11 fui com a minha esposa na etapa de 2009 da Fila Night Run São Paulo. A prova disputada na Cidade Universitária da USP contou com percursos de 5 km e 10 km, e reuniu cerca de 12 mil pessoas.

Pessoal animado e cheio de energia, num clima muito bacana e com muita disposição a prova reuniu a galera antes do inicio na arena com direito a massagem, show e sorteio, enfim foi além de uma simples corrida foi uma momento de encontros e de curtição.
Apesar de não ter participado (correndo os 5km ou 10km) fui lá torcer pelo meu amor e também encontrar o pessoal da Synchro o Richard, Simone, Antonio Carlos, Alexandre, Celso e Leandro. Esta galera já vem correndo a bastante tempo e participando de outras provas. Todos estavam muito animados.

Os pais da Simone - Sr. João Narciso e Sra Solange - marcaram presença no evento. Um casal que precisa estar mais vezes nas próximas corridas. É muito legal ter a energia e disposição deles.

Foi a segunda prova que fui assistir e fiquei muito animado em correr, só preciso me programar e tentar encaixar as atividades no meu dia a dia, tá difícil! E não me venham falar que é falta de vergonha na cara...ainda não consegui pensar como eu vou tirar as fotos (rs).

Acima a minha linda e amada exibido o resultado da prova.

Bem. Coloquei algumas fotos no álbum on-line do Picasa é só clicar no logo abaixo.

A todos que participaram PARABÊNS e até a próxima.

Fila Night Run 2009

Sesc SP - Um passeio que vale a pena

No ultimo feriado de (02/11) aproveitamos para conhecer o SESC Santana e ir na peça Dr. Dodói.

Somos fã do SESC SP, pois é espaço muito democrático e que permite o acesso a cultura de forma muito prazerosa, quem não conhece deve correr e aproveitar.

O SESC tem uma programação muito ativa e acessível com ventos gratuitos e os pagos são a preços bastante em conta.












Quer ver um exemplo.

No SESC Santana até o 28/02 tem uma exposição gratuita dos contos dos Irmãos Grimm - chamado Quem Quiser que Conte Outra - Irmãos Grimm que tiver a oportunidade não perca. Não conhecia o SESC Santana, gostei muito do local.

Os contos mais populares dos Irmãos Grimm estão caracterizados por uma ambientação cenográfica que permite a fluidez da imaginação durante o percurso. Uma Floresta com árvores cujos troncos são feitos de diversos materiais que remetem a personagens dos contos, uma Torre feita de livros dos Grimm e um Jardim Secreto, são alguns dos ambientes que integram o conjunto instalado por todos os espaços da Unidade. Concepção cenográfica de Aby Cohen e Lee Dawkins.

Veja algumas fotos:
Entrada da exposição no Sesc Santana


Escutando história
Contando história.

Interior da exposição, com direito a barco.

Mais fotos no album on-line :
SESC Santana - Irmão Grimm -

Visitamos o SESC da Paulista para ver uma peça de teatro com a turma do Doutores da Alegria - Dr. Dodói

Espetáculo livremente inspirado no "Doente imaginário" de Molière. Dodói, certo de estar doente, se submete aos cuidados e desmandos Ganâncius, que não hesita em prescrever muito extrato de gambá e pílulas de jiló com letra bem garranchuda para “curar” seu doente predileto.

É um excelente passeio para levar a criançada e vai até 06/12

Mais informações no link do SESC SP

Veja algumas fotos:
Concentração antes do início do espetáculo
Vista do SESC Paulista na lanchonete ou Comedoria...

Bem! Se quiserem conhecer o Blog do Doutores da Alegria é só acessar - http://blog.doutoresdaalegria.org.br/

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Biscoitos Globo - A praia do carioca começa na Lapa

Mais um twitter interessante!

Este recebi do @lucianopires e nos remete ao blog Rio Acima de Marcelo Migliaccio onde conta um pouco da história dos Biscoitos Globo.

A história dos Biscoitos Globo teve início no ano de 1953 quando os irmãos Milton, Jaime e João Ponce, em virtude da separação dos pais, foram morar com um primo que possuía uma padaria no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Os irmãos aprenderam a fazer biscoitos de polvilho com o primo, os quais eram vendidos nas ruas da capital paulista.

Os Biscoitos Globo, sengundo coletado do blog Aprendendo Por Ai, do paranaense Rui Morel o produto com:
"-O slogan é singelo demais. “Biscoito Globo, salgado ou doce”
-A embalagem é uma poluição só: muitas informações e um desenho antigo.
-Os garotos propaganda são os mais feios do mundo, são os próprios vendedores.
-Não conhecem o seu público nem seus hábitos de consumo.
-A distribuição é péssima. Não existe uma distribuidora. O produto é vendido diretamente aos ambulantes.
-A embalagem é tão vagabunda que não fecha direito.
-Nunca investiram um centavo em propaganda.
-Os preços são sazonais, ao sabor do clima. Se estiver nublado, compra-se dois saquinhos pelo preço de um em dia de sol.

Com um produto desse o negócio não podia dar certo, mas as vendas passam de 10 mil saquinhos de 30g/dia. Muito bom para quem não investe em propaganda. O produto está no mercado há 54 anos e é aceito justamente pelas suas características:

-O slogan já define o que o cliente encontrará.
-Possui dois sabores universais: doce e salgado.
-A embalagem pode ser horrorosa, mas o consumidor identifica logo.
-Pode ser vagabunda, mas é fácil de abrir. As crianças agradecem.
-Como não investem em propaganda, o preço é muito baixo.
-É o biscoito de polvilho mais gostoso do Rio de Janeiro.
-O nome GLOBO passa credibilidade.
-A margem de lucro para o ambulante é enorme, o que estimula o interesse pela venda. "

Fique com texto do Marcelo

A praia do carioca começa na Lapa

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São 4h50 da madrugada na escura Rua do Senado, na Lapa. Até os mais renitentes boêmios já entregaram os pontos. Não se vê viva alma, a não ser em frente ao sobrado número 273, onde cerca de 50 pessoas aguardam a abertura da fábrica do tradicional biscoito de polvilho Globo. Daqui a algumas horas, o sol estará brilhando na orla, mas a praia do carioca nasce ali, na escura Rua do Senado.

O primeiro da fila chegou às 2h. Fausto Ferreira da Silva, 80 anos, compra biscoitos para vender na Praia do Leblon há oito, desde que deixou o emprego de cozinheiro num restaurante do Centro.

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– O produto é bom! – empolga-se. – Esse biscoito é dinheiro em caixa. Criança de um ano já aponta o dedinho quando a gente passa – diz o vendedor, que paga R$ 25 por um saco de 50 unidades.

Pontualmente às 5h, um senhor franzino, de fala mansa mas articulada e segura, chega para abrir a fábrica. Milton Ponce segue essa rotina desde 1962, quando decidiu ampliar a produção da padaria Globo, em Botafogo. Paulista, ele chegara ao Rio em 1954, trazendo de uma panificação antiga do bairro do Ipiranga a fórmula que junta polvilho, ovos, leite, açúcar, sal, gordura hidrogenada e água.

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– Muita gente pergunta por que não aumento a produção. Quase todos os dias, recebo propostas de franquia, mas isso aqui é como um bolo que você faz na sua casa. Segundo ele, sua maior satisfação é fornecer um meio de vida a milhares de pessoas que vendem o biscoito nas praias do Rio e pelas ruas da cidade.

- Muita gente aposentada ou desempregada vem aqui comprar o biscoito e sobrevive da venda.

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Milton diz que o segredo do sucesso são seus funcionários – 18 no turno da manhã e quatro à tarde – que chegam a produzir 15 mil saquinhos com dez rosquinhas cada durante o verão.

– Tenho funcionários comigo há 42, 38, 35 anos. Aquele está aqui desde os 11 – conta, enquanto aponta para o forneiro Ednaldo Valdevino do Nascimento, 36.

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Levado à fábrica por dois tios, ele acorda todos os dias às 3h20 para trabalhar.

– A carcaça já calejou com esse horário.

Mas quem mete mesmo a mão na massa é Jailton da Silva Cardoso, que exercita os músculos e a sensibilidade dos dedos para achar o ponto certo. Como não pode usar luvas, sua maior preocupação é com a higiene.

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– Se colocar numa batedeira a massa queima porque não leva fermento – explica. – Já tentei usar luvas, mas elas impedem que eu saiba o ponto exato.

Milton brinca com a fidelidade dos funcionários.

– Tem uma senhora aqui que, se eu demitir, dá um jeito de entrar pelo telhado. A maioria das empresas erra quando troca os empregados que ganham mais. Eu valorizo essa equipe.

Seu calcanhar de aquiles é o empacotamento nos saquinhos de papel vendidos nas praias – os únicos que resistem à ação do sol.

– Já procuramos na Itália e na Alemanha, mas não existem máquinas para esse trabalho.

Ver empacotadores como William da Silva Torres atuando é um espetáculo. Numa velocidade tão grande que suas mãos desaparecem, ele enche um saco em menos de cinco segundos.

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Apesar de não ser carioca, Milton já incorporou o espírito gozador e não liga para os apelidos de biscoito de vento ou "me engana que eu gosto":

– Devemos muito do nosso sucesso à essa irreverência.

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Esta reportagem foi publicada em julho de 2008 no Jornal do Brasil, achei que tinha que dividi-la também com os leitores deste blog, porque mesmo os que não moram no Rio, e até os que nunca pisaram nesta terra, precisam conhecer um pouco da alma carioca.

Coma com os Olhos

Enquanto isso...entre um twitter e outro ao ler um dos Twitter que recebo diariamente acabei caindo num blog muito interessante, chamado Inspiração - Época - Estratégias corporativas para o dilemas do século 21

No blog tinha um texto chamado: A vida como ela é (este tema nos remete a um slogan bem conhecido) onde trata várias imagens comparando fotos publicitárias de lanches, doces e sobremesas com o produto final que chega à mesa de todos nós.

Na realidade os créditos devem ir para o site Coma com os Olhos os qual vale a visita e algumas risadas.

Simplesmente fantástico.

Sabe aquele texto que você lê nas embalagem "imagem meramente ilustrativa"? O site se encarrega de mostrar as maravilhas publicitárias x o produto final para o consumidor.

Veja alguns exemplos engraçados


O texto na integra - A vida como ela é

E assim

Domingo, Novembro 01, 2009

A Cultura da Banalidade

Enquanto Isso!

Quero iniciar o mês com uma postagem do Luciano Pires um texto que nos chama a atenção para a cultura da banalidade - A Cultura da Banalidade.

É uma cultura que permeia nosso dia a dia.

A Banalidade está a solta!!! Estamos convivendo diariamente com esta realidade absurda e que passam a tentar nos convencer que o banal é natural e não "pega nada" e quem não acompanha está deslocado ou alienado.

Quantas vezes entre amigos não surge alguma notícia banal e por não estarmos inteirado somos questionados: Onde você estava este tempo todo?

As vezes respondo: - Sei lá, provavelmente lendo e/ou fazendo algo que seja mais instrutivo para minha vida ao invés de ficar lendo fofocas online ou assuntos banais...

Fiquem com o texto:

"A afilhada de Rita Cadillac, Cléo Cadillac, será capa da revista Sexy Especial de maio de 2009." Esse era o título de uma das dezenas de mensagens de assessorias de imprensa que recebo diariamente. E chega cada coisa... Existe uma indústria focada no desenvolvimento de conteúdo banal para a imprensa. São fofocas sobre celebridades, tipo: "Fulano de tal faz compras em Punta Del Leste". "Cicrana leva a filha para tomar sorvete". "Beltrano troca beijos com desconhecida"... E assim vai. São dezenas de releases diários que - acreditem - são aproveitados por jornais, revistas e blogs dedicados à cultura do banal.

Pois comecei a colecionar esses releases. E fico imaginando um profissional de jornalismo pesquisando e redigindo essas coisas. Será que ele sente que seu trabalho é uma banalidade? Mas se tem gente que compra, o jornalista está apenas cumprindo sua missão, um trabalho honesto como outro qualquer. E dá-lhe banalidade...

O ensaio fotográfico com a Cléo Cadillac foi realizado em uma loja de carros antigos, tendo como destaque um cadillac modelo 74. Foi o primeiro ensaio nu da dançarina, que colocou silicone, fez lipoaspiração e - atenção - aumentou o bumbum, que passou de 102 para expressivos 122 centímetros! Cléo quer ser a celebridade com o maior bumbum do Brasil. Muito bem. Não sei o que vocês acham, mas pra mim não existe bumbum com 122 centímetros. Com essa metragem é bunda mesmo. Ou lordo, como diz meu pai lá em Bauru. A moça apresenta-se como afilhada da ex-chacrete e atriz pornô Rita Cadillac. Afilhado não é parente, portanto não existe nenhum ascendente genético que explique a abundância. Pouco tempo atrás estourou na mídia a Mulher Melancia, uma dançarina de funk que também tem uma senhora bunda. A Melancia acabou na capa da Playboy, um sucesso estrondoso. Agora vem a Cléo Cadillac. É curiosa essa fixação que nós, brasileiros, temos pela bunda. Mas já escrevi a respeito, quem se lembra?

Não sei não... É implicância minha ou o nivelamento por baixo do repertório cultural dos brasileiros, tem relação com isso? Musiquinhas sem vergonha, pagodeiros de acrílico, sertanejo corno, livrinhos de auto-ajuda, baixarias na televisão... Uma corrente de estudiosos garante que a indústria não induziu o consumo da banalidade, mas nasceu da necessidade, do clamor popular. O povo gosta de baixaria, dá audiência para a baixaria, pede baixaria. Desde que comecei meu combate pela despocotização do Brasil afirmo que o povo, tendo opção, não quer consumir a baixaria. Mas estou começando a mudar de opinião. O povo não é tão ingênuo assim, gosta mesmo é de sacanagem...

Pois quer saber? Acho até que isso é lógico. Se essas porcarias não desenvolvem o cérebro devem estar desenvolvendo as bundas.

Luciano Pires

Convido a conhecerem mais do trabalho do Luciano Pires tenho certeza que vocês ficaram surpresos os excelentes textos.

ISCAS INTELECTUAIS
As Iscas Intelectuais, publicadas em www.lucianopires.com.br, são o "fitness intelectual" que vai ajudar a manter sua mente em forma.

PODCAST CAFÉ BRASIL - QUEM SE IMPORTA?
Com Luciano Pires

O Brasil é mesmo o país dos contrastes, né? Em Outubro de 2009, no meio das festividades pela escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016, assistimos a
uma explosão de violência, com helicóptero derrubado, tiroteios nos morros e gente morta pra todo lado no Rio de Janeiro. É isso que vamos discutir no programa de hoje.
A trilha é da pesada, olha só: Racionais MC, MV Bill. Sabotage, Simone. Seu Jorge Rappin' Hood, Cidinho e Doca, Marcelo D2 e Z'África Brasil. Hip Hop, Rap e Funk no Café
Brasil!
OUÇA: http://www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast


BARRAGENS EM GRANDES ALTITUDES
Augusto Carvalho em Iscas Engenhosas

As barragens em grandes altitudes são feitas em cima de algum planalto para abastecer, de energia ou de água, as cidades ao redor com maior facilidade. A grande
vantagem de uma barragem deste tipo é a grande energia potencial, medida em metros, chamada de carga d'água ou metros de coluna d'água (facilidade para produção de
energia elétrica).
LEIA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12163&pageNo=1

MELHOR GUITAR HERO QUE CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
André Camargo em Iscas Filosóficas

Não sei exatamente como anda a educação nos colégios particulares. Em contrapartida, e salvo exceções, a educação pública é o caos total. Eu estudei em colégio
particular. Era uma escola considerada muito boa, na época, porque a porcentagem de alunos aprovados nos vestibulares era alta. Esse era o critério. Por isso mesmo,
porque esse era o foco, eu hoje não colocaria meu filho para estudar lá.
LEIA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12062&pageNo=1


SERVIÇOS: PROBLEMA CRÔNICO DE QUALIDADE?
Marcos Militelli em Iscas Negócios

Ao comprar um produto o consumidor paga e recebe algo físico, palpável e concreto. Se tiver examinado o produto antes ou no momento da compra, dificilmente haverá
problemas com a transação. Na compra de serviços não há como conhecer antecipadamente se a qualidade dos serviços contratados será a mesma entregue. Isso só será
possível de constatar depois.
LEIA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12130&pageNo=1


LETRA, MÚSICA E AUTORRETRATO
Kledir Ramil em Iscas Tipoassim

"Coisa boa é um amigo, pra poder conversar e trocar figurinhas". Kleiton e eu abrimos o coração e confirmamos o que todos já sabem: os afetos são contagiantes.
LEIA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12134&pageNo=1


MODA E IDENTIDADE BRASILEIRA
Denise Pitta em Iscas Moda

Qual distância existe entre a moda e a identidade brasileira? Distâncias? Não, ao invés de distâncias existem pontes, reflexos, e a moda é como o espelho de Narciso onde a
identidade aparece refletida.
LEIA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12139&pageNo=1


SE ATÉ DYLAN É CONFUNDIDO COM MELIANTE, IMAGINA
Nuno Mindelis em Iscas Mindélicas

Todo o mundo dá risada e tira uma dos americanos por causa das perguntas nos formulários (de pedidos) de visto de entrada naquele país. Ali há questionamentos
improváveis do tipo "já tentou praticar atentado à bomba nos EUA?" ou "Pretende fazer alguma ação armada contra o governo dos EUA", ou "Já esteve envolvido em algum
assalto a banco nos EUA?" Essas perguntas soam ingênuas. Quem é que iria responder "sim" a qualquer delas? Mas a coisa não é bem assim.
LEIA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12148&pageNo=1#49114

TEMPUS FUGIT
Alfredo Marins em Iscas Mitológicas

Participei como telespectador de um debate literário entre dois escritores que admiro: Eustáquio Gomes e Rubem Alves. Ambos são cronistas. Uma crônica é um texto
redigido de forma livre e pessoal, que tem como tema fatos ou idéias. São retratos do dia a dia que diferentemente das notícias, visam mais agradar que informar.
LEIA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12176

ESTA VAI PARA OS LOUCOS
Elias Luiz em Iscas Fotografia

"Eles inventam. Imaginam. Curam. Exploram. Criam. Inspiram. Eles empurram a raça humana pra frente. Talvez eles tenham que ser loucos".
VEJA: http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=12171

Sábado, Outubro 31, 2009

Quem é Patativa do Assaré



O nome surpreende e se destaca dá lógica dos nomes de poetas e escritores da literatura.

Poeta contemporânea que nos mostra um outro lado da vida pelos traços simples da sua poesia, nas palavras de José Nêumanne, no texto que escreveu para Estado de São Paulo (13/07/2002), descreve da seguinte forma:

A poesia sertaneja brota do chão - esturricado, quando submetido à inclemência dos longos períodos de estiagem, ou virado barro pegajoso depois de chuva. Feito milho, feijão e mandioca, da qual se extrai a farinha, que também nascem no solo do sertão, ela tem lá seus aspectos nutrientes: mata a fome de beleza no meio da paisagem cinzenta e esquálida. É épica, ao narrar proezas de valentes. Lírica, de um lirismo pungente, quando tece loas ao amor ou se debruça sobre a saga de uma raça que sobrevive heroicamente em sua luta contra as intempéries da natureza, luta que quase sempre termina em retirada, na repetição cíclica do êxodo bíblico. É feita para a dor do lamento e o gozo do riso.
O poeta sertanejo é familiarizado com ritmos e cadências - há pouca diferença entre poesia e canto, embora seu cantar seja monocórdio, a palo seco, sem muita graça para ouvidos que a ele não estejam habituados. Que não se exija do poeta perícias de esgrimista da linguagem nem habilidades de pesquisador da semântica. Sua poesia serve a sua gente: descreve sua vida, ou seja seu convívio com a paisagem ou com outros viventes. Só quem entender isso plenamente vai ser capaz de também compreender a importância de Patativa do Assaré na poesia brasileira contemporânea. O nome artístico adotado pelo cearense Antônio Gonçalves da Silva é o primeiro passo para tanto. Patativa é uma ave canora e Assaré, o lugar ermo onde nasceu, se criou e viveu a vida inteira. Cantos de Patativa, título de sua obra de estréia, da mesma forma, expressa com clareza o que pretende e a que se apresenta - trata-se de um manifesto curto, que não admite desvios nem tergiversações. O poeta, como o pássaro, canta e tem de cantar bonito, com ritmo e precisão, além de exibir ao ouvinte as ricas cores de sua plumagem.

No Wikipédia podemos encontrar também:

Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença. Com a morte de seu pai, quando tinha nove anos de idade, passa a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, freqüenta a escola local, em que é alfabetizado, por apenas alguns meses. A partir dessa época, começa a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes.

Enfim é um pouco da história deste poeta. Não tenho a intenção de reproduzir tudo que está na net mas deixo um outro site onde pode-se entender a pesquisa. Jornal da Poesia

Deixo também dois poemas:

O Peixe
Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.

Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!

O Burro
Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.

Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,

É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.


Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Por que as pessoas gritam?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?, questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.
Por outro lado, o que acontece quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem.
É isso o que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
- Quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

(Extraído de uma palestra do pensador indiano Meher Baba)